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Byung Chul Han·02 de jun. de 2026·5 min de leitura

Aonde está a autenticidade?

Somos ou parecemos? | Quando nos tornamos previsíveis e descartáveis?

Aonde está a autenticidade?

Nesse artigo eu falo sobre como a “liberdade” de ser e poder expressar-se se transformou em uma obrigação de se autoexplorar, enquanto somos metrificados e especialmente iguais.

Dessa vez focando mais nos pensamentos de Chul Han, mas é impossível não citar Bauman também. Tudo aqui é baseado em pensamentos próprios inspirado pelas obras desses grandes autores.


Aonde está a autenticidade?

Sua liberdade é autêntica?

A ideia de Kant é que somos escravos do desejo a partir do momento em que fazemos o que queremos, mas Chul Han, com base nisso, traz um significado a mais para a sociedade atual, citando por exemplo um trabalhador que deixou de ser explorado para se tornar empreendedor, mas o preço dessa liberdade condicional de um emprego é a autoexploração.

A autoexploração no mundo moderno passa-se de apenas um trabalho exacerbado em seu empreendimento, para a vida.

O indivíduo por si só passou a ser livre, passou a gostar das próprias coisas, abriu mão de tradições, virou um “desapegador” ambulante para viver solto no mundo.

Mas essa liberdade não é autêntica, porque a partir do momento em que o indivíduo está livre, no mundo atual principalmente, em que vivemos em uma vitrine de comparação 24h por dia, esse mesmo indivíduo vive em um mundo de autocobrança e rendimento produtivo já que ele é o único responsável pelo seu desempenho em todos os âmbitos da sua vida.

A autoexploração citada por Chul Han também menciona o mundo tecnológico, onde nós, a partir do momento em que fomos inseridos nas redes sociais e tivemos contato com a produção própria de material digital, isso nos tornou em meros dados em sistema de Big Data.

A autoexploração que Chul Han cita é influenciada por terceiros, mas é açoitada pela nossa própria mente. Ela parece nociva e simples, enquanto nos cobra dia e noite.


Perda da autenticidade

A autenticidade desapareceu porque a vida parou de ser vivida e começou a ser apresentada.

Neste momento em que nossas vidas começaram a ser metrificadas online, passamos a consumir mais “modinhas”, passamos a ser mais influenciáveis e consumistas por conta do fácil acesso.

Nossa facilidade em ver o que o outro tem, o que o outro faz afetou como nos enxergamos, pois no momento em que uma massa de pessoas começa a fazer uma mesma coisa, você começa a se indagar “Se todo mundo faz deve ser legal”, “Se todo mundo compra deve ser bom”, mesmo quando você não precisa fazer algo ou adquirir nada, você não queria aquilo até ser tentado.

Você realmente gosta do que gosta, ou quer que os outros vejam que você faz parte do clube?

O acesso a múltiplas opiniões faz com que nossos gostos possam ser líquidos a partir do momento que nossa temperança é medida por terceiros, ou quando nós terceirizamos nossa decisão para alguém que “gostamos”.

E junto desse acesso, vieram mais algumas punições, que nos voltam a autoexploração.


Aonde está a autenticidade?

Produtividade tóxica

A comparação e a FOMO nos torna exploradores de nós mesmos.

Se existe uma coisa que foi banalizada foi o termo “produtividade”, muito atrelado a assuntos como rotina, esse termo remete ao quanto alguém produz, e a pergunta que fica é:

Para quem?

Produtividade por produtividade é apenas o que você faz durante o seu dia?

É o tanto de tarefas que você coloca na sua agenda?

É o quão cansado você termina o seu dia?

A busca por produtividade está atrofiando muitas mentes férteis, que estão exaustas com uma agenda lotada, enquanto tentam provar para os outros que são úteis. Mas a questão é… Para quem?

As vezes preencham suas agendas com coisas que não precisavam e arrumam compromissos apenas para não ficarem parados, porque ficar parado é sinônimo de perder tempo ou de preguiça, sendo que você só está descansando.

Essa produtividade tóxica que foi formada no mundo moderno é a maior causadora de cansaço extremo, questionamentos sobre sua pessoa, suas capacidades, e até sobre seus valores. Mas não para por aí…


Aonde está a autenticidade?

Healing (Processos de cura)

Chul Han cita mecanismos de cura para que nós continuemos nos cobrando o máximo, ele diz que muitos destes não são necessariamente falsos ou inúteis.

Mas que o problema surge quando são absorvidos pela lógica do consumo e desempenho, porque a partir daí o healing serve para que quando nossa energia abaixe ou questionemos, nós possamos buscar apoio em coisas que farão a produtividade permanecer.

  • Quando o autocuidado vira obrigação

  • Quando a recuperação de um momento delicado passa a ser cronometrada.

  • Consumo desenfreado de conteúdos de autoajuda.

  • Regras sobre felicidade

Vivemos em um mundo de positividade excessiva, onde o sentir virou pecado.

Onde se você não está feliz você está errado, se está de luto dizem “não fique triste”, alguém perde o emprego “Foi livramento”.

É uma cultura que reforça a ideia do “você pode, então faça.” Que nos volta a autocobrança.

Chul Han propõe que é preciso recuperar espaço para aquilo que a cultura da positividade tenta expulsar:

  • silêncio

  • espera

  • contemplação

  • fracasso

  • tristeza

  • ambiguidade

  • vulnerabilidade

(Agora sendo positivo 😅) Porque isso tudo que você deve passar se torna um aprendizado.


Tédio

Se tem uma coisa que valorizo bastante é o tédio, que apesar de parecer besteira, é algo quase impossível de conquistar e saber lidar hoje em dia.

O tédio antes era exaustivo, preguiçoso e até desprezível.

Saber lidar com o tédio hoje é quase um superpoder em meio ao caos de atenção que vivemos, onde para conversar com um amigo precisa estar consumindo algo na rua, para almoçar precisa assistir YouTube, para ir ao banheiro precisa ver reels…

Sempre julgamos o tédio tentando ocupar a agenda para não sofrer com ele, mas hoje o buscamos.

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Então…

Nesse momento entendemos que o princípio de tudo advém do pensamento próprio mais que tudo, tentando viver sem os dogmas do mundo contemporâneo em relação ao que fazemos e gostamos, porque isso afeta as emoções, a atenção, e nossos gostos.

Pretendo fazer mais artigos como esse (é um assunto que posso ficar uma semana conversando sobre) mas focando na questão da atenção.

E posso fazer de outros temas também, caso queira dar alguma sugestão é bem vindo.


*Obs: Caso tenha algum erro, me dá um desconto porque foi tudo escrito em uma tacada só.

Curta e comenta aí para conversarmos sobre.

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