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sensibilidade·13 de mai. de 2026·5 min de leitura

Olhar pra cima nem sempre faz a lágrima voltar.

Sobre a permissão social de sensibilidade e suas armadilhas com a saúde mental.

Olhar pra cima nem sempre faz a lágrima voltar.

Por que se fazer de forte e reprimir sentimentos, se aquilo que não se expele continua guardado? A espera é pela implosão?


O peso de guardar

É comum socialmente que a vulnerabilidade não seja tão bem vista, onde pessoas que estão passando por situações desagradáveis ou tristes não possam expressar o que sentem, não por algum tipo de repressão, mas por cobrança interna devido a julgamento de outros.

As vezes na infância essa pessoa ouviu muito que era pra engolir o choro, as vezes para ser forte na frente dos outros não quis demonstrar nenhuma “fraqueza”, ou algum trauma referente a sensibilidade humana, e isso tudo fez com que essa pessoa não possa se sentir vulnerável.

Mas isso é um castigo.

Sei que hoje você pode ter dúvidas sobre o que quer da vida, questionamentos sobre escolhas que já fez, ou um cotidiano muito agitado, mas esse tipo de sentimento quanto a saúde de seus pensamentos não devem ser repreendidos, em nenhuma hipótese.


Olhar pra cima nem sempre faz a lágrima voltar.

Robin Williams | 1951 — 2014

Esse é um cara admirável, que dedicou grande parte da sua vida e carreira a fazer filmes que fazem jovens acreditarem nos seus sonhos, não deixarem de abater e acima de tudo viver.

Não é possível julgar, nem seria minha função essa, mas eu gostaria de usá-lo como exemplo para o assunto desse artigo.

Pois, apesar de expressar sua arte de boa forma, ser contra ao ato de se impedir de viver (se é que me entendem) em várias de suas obras, ele conviveu com a depressão por muito tempo, mesmo sendo um comediante e aparentar estar feliz, essa foi uma forma de mascarar seus verdadeiros sentimentos.

Robin Williams merece um artigo dedicado a sua história, porque além de ser meu ator favorito, ele fez parte da vida de diferentes gerações de jovens.

Então, fazer os outros rirem, brincar, amar, trabalhar e estar com os outros não significa que uma pessoa está bem.


Sentir era pra ser algo humano

Não me interpretem mal, mas acho que todos vão entender o que vou falar…

A sensibilidade, as reflexões, e tudo que necessita de mais introspecção sempre foi algo muito atrelado às mulheres, e a sociedade é a principal culpada por isso.

Numa visão histórica e ampla, os homens sempre foram formados a serem mais chucros, menos “vulneráveis” e que demonstrem o menos possível seus sentimentos, só que é aqui que mora o problema.

Os homens se impedem de viver 4X mais do que as mulheres, e acredito que muito disso (sem julgar situações específicas) vem da repreensão dos próprios sentimentos, a não busca de ajuda, que muito advém da não permissão de vulnerabilidade.

E é por esconder, que as pessoas não aprendem a lidar e não buscam ajuda.


Esse assunto não deve ser um “elefante na sala”

Independente de quem seja a pessoa busca ajuda, que comenta sobre o assunto, que tenta conversar sobre o assunto, não seja o desagradável que vai falar que é falta de trabalho, que não é isso tudo, que aquilo é frescura, porque não é virtuoso fazer um comentário desse, e já vi pessoas que eram desagradáveis assim que acabaram passando pela mesma situação, o famoso Karma.

Não desdenhe dos seus próprios pensamentos e nem do pensamentos dos outros, ninguém sabe como está a cabeça do outro, pois a mente é enganosa e pode adoentar qualquer pessoa, ninguém está isento.

Sei que a rotina pode ser corrida, muita coisa pra lidar, mas a mente também precisa de manutenção.

Nos dias de hoje o assunto saúde mental é mais popular do que a tempos atrás, mas ainda assim existem casas e ambientes que este é um assunto que não deve ser tocado, mesmo todo mundo sabendo que deve ser conversado sobre aquilo, o assunto não é mencionado.

Então, não ignore o assunto.


Solitude emocional

As vezes pensamos que conseguimos resolver todos os pensamentos por conta própria, a partir do julgamento sobre nossos pensamentos, só que nem sempre é o suficiente, necessitamos de conversar com outras pessoas e até mesmo com um profissional da área.

Conheço pessoas que para parecer forte costumam falar com pouco caso sobre o ato de “pensar” quando o assunto é tocado no grupo de amigos, como se isso só atrapalhasse, mas quando essa pessoa está sozinha vive em conflito, largada em melancolia, tentando esconder seus pensamentos dos outros, mas nem sempre isso é possível e acaba sendo visível a necessidade de algum tipo de apoio.

Um amigo brincalhão muitas das vezes é o que mais sofre, porque fazer os outros rirem pode tentar mascarar mesmo que momentaneamente o que ele sente.


Olhar pra cima nem sempre faz a lágrima voltar.

Por que não pensar?

Um castigo e uma dádiva que nos foi dado é o ato de pensar, pensar demais faz com que imaginamos cenários hipotéticos e muitas vezes ruins, mas pensar como uma forma de buscar entendimento sobre si é uma das melhores coisas que você pode fazer, se permitir sentir e entender o que sente.

Talvez inconscientemente as pessoas evitam sentir por estarem lidando com a vida, como a depressão funcional, onde o indivíduo demonstra para o mundo externo um controle de sua vida e de seus sentimentos ao continuar realizando suas atividades de trabalho comumente. Para assim as pessoas ao seu redor não necessariamente perceberem o problema.

Mas isso não precisa ser uma realidade, porque estar consciente do problema não o resolve. É preciso muita dedicação para se libertar.

Não deixe que nenhuma amarra social anule suas emoções, afinal, não somos máquinas, e se não pensássemos não estaríamos onde estamos como sociedade.

"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana"

— Carl. Jung


Esse texto é para você que se sente assim, ou que conhece alguém que tenta não sentir, mesmo sentindo.


Busque ajuda, sinta, converse, não desdenhe e viva.

Porque olhar pra cima pode fazer a lágrima voltar, mas não cessar o sentimento.


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